10/30/2009


Como as coisas são e como gostaríamos que elas fossem



Dias atrás o Rio foi escolhido para sediar uma Olimpíadas, contrariando todo o bom senso. A cidade é uma bomba relógio. Falo com a propriedade de quem morou lá por seis anos e voltou há pouco tempo. Conforme a música de Fernanda Abreu, pra mim o Rio é "o melhor e o pior do Brasil".
O Rio poderia ser o paraíso que as pessoas pintam que é. Mas hoje só é um cenário, um vislumbre que não se concretiza. Porque para cada imagem deslumbrante, e concordo que é uma cidade de infinitas imagens deslumbrantes, há um barulho de tiro, um cheiro de sujeira, uma lata de cerveja sendo arremessada pela janela do carro no meio da avenida. Não é o único lugar do Brasil em que estas coisas acontecem, concordo. Mas é um lugar em que tudo isso acontece ao mesmo tempo, o tempo todo.
No Rio encontrei pessoas maravilhosas e me tranquei de medo no banheiro, achando que o morro estava invadindo meu prédio - o barulho dos tiros estava alto demais. Nunca tinha ido a tantos museus, a cidade oferece muita opção de cultura sem que você precise gastar muito tempo pra ir de um lugar pra outro.
Nestes anos todos não vivi o Rio do imaginário coletivo, da novela do Manoel Carlos, do livro do Testino, do clipe das olimpíadas.Ainda assim me diverti bastante.

Não sei dizer se vai dar certo fazer os jogos lá. Será que nestes anos que separam o sonho da realidade alguma coisa vai mudar? Será que vão parar de arrancar os óculos do Drumond? Que as ruas vão parar de feder e as pessoas vão dormir sem ser embaladas pelo som de tiros? Que o metrô vai integrar a cidade toda? Perguntas que só serão respondidas quando a hora chegar.

Imagem tirada do livro do Testino, disponibilizada no site da Taschen .
desabafo de Gabitsa 6:17 PM

Pode falar, mas não me machuque:


10/26/2009


Do alto da minha prepotência, e mesmo tendo lido muito rápido os 4 livros da saga Crepúsculo, acho meio boba esta comoção toda em cima da série. Como acho bobo quase todo tipo de comoção. Os atores do filme não têm mais vida, adolescentes (e outras pessoas mais velhas) ficam correndo atrás de cada notícia que sai e por aí vai. Vampiros por todos os lados. São livros, filmes e seriados no assunto. Daqui a pouco a Globo reprisa a novela Vamp, que por sinal, era muito legal. Até o sobrinho-neto do Bram Stoker resolveu lançar uma continuação para o Drácula, o livro que é a fonte de toda a mitologia moderna de vampiros.
Confesso que gosto desta coisa toda misteriosa e soturna. Imaginar um poder de ser muito acima dos outros e permanecer jovem, belo e indestrutível para sempre. Nesta mitologia sempre há espaço para educação refinada e pessoas cultas, mesmo as atitudes mais cruéis parecem ser motivadas por um paixão infindável, mesmo que seja por si próprio. Enfim, é um rococó sem fim, romântico, com toques de brutalidade frívola e quase sempre com uma mocinha para ser salva. Muito mais interessante, para a maioria das meninas, que monstros babões, que andam mal vestidos por aí. Enfim, de qualquer forma, sempre achei uma ideia de história interessante, mas continuo sem entender porque tanta histeria. Vai ver que é porque tem coisa que a gente tenta apagar da memória, ou esquece mesmo sem querer porque tanta coisa acontece enquanto a vida passa.

Quando eu tinha lá uns 15, 16 anos, preocupada que só com o vestibular para faculdade de física, eu assisti um filme chamado Jovens Bruxas. Não me apaixonei pelo elenco, não criei histeria, não comprei camisetas, mas perdi muitas horas imaginando como seria ter poderes, lendo livros relacionados, fazendo evocações sem sentido. E me vestindo inspirada nas personagens do filme. E quer saber? Não estava sozinha. Tinha pelo menos uns 10 amigos do colégio que se deixavam levam pela imaginação, mais ou menos crédulos, mas ali junto, porque era divertido. Acho que deixar a cabeça viajar numa realidade alternativa gerada por uma história em um livro ou em um filme faz com que a vida seja mais divertida enquanto a gente vai descobrindo que o mundo não é tanto fácil quanto o universo entre a escola, os amigos de sempre e a casa da mãe. Porque ontem assisti Jovens Bruxas de novo e cheguei a conclusão de que romances açucarados, cheios de fantasia fazem bem pras cabecinhas ocas que vemos por aí, inclusive para a minha.
desabafo de Gabitsa 12:05 PM

Pode falar, mas não me machuque:


10/19/2009


Mais um verão está chegando, apesar do céu de São Paulo desmentir isso quase toda tarde. Já devo ter falado alguma coisa sobre a euforia de verão, aquela sensação que dias ótimos estão por chegar.
Por anos esperei pelo verão da minha vida. Aquele em que todos os dias serão de festa, você estará bronzeada e todas as meninas terão inveja do seu cabelo. Sua roupa é um biquini e seu maior compromisso é passar filtro solar pra não ficar vermelha. Sim, ainda tenho um espaço na minha imaginação pra este tipo de pensamento, mas este espaço vai ficando cada vez menor por conta da realidade. Os anos passaram e este verão não chegou. não emagreci, não fui para o nordeste, não deixei o cabelo crescer. Fiquei sem dinheiro, depois sem emprego, depois sem férias. Um ano choveu, no outro eu estava estudando, então alguém morreu. Várias pessoas queridas morreram. Eu mudei, deixei de mudar e o verão de festa foi ficando para depois.
A cabeça dói no sol, eu não tenho paciência para a farofada que fica na praia, minha pele tem queimado mais rápido, eu tenho que voltar logo pro trabalho. A euforia de verão foi diminuindo. Eu não sou mais adolescente. Minhas preocupações vão além do filtro solar e de lembrar que na praia a gente também precisa beber água. A cidade mudou, a praia mudou, tanta coisa mudou que eu tive que me separar, com alguma dor, dos meus planos de verões perfeitos. De pele dourada e todo mundo sorrindo. Amigos, conhecidos, pai, mãe, irmão e marido. Picolé de maracujá, suco de abacaxi com hortelã. Dias de vestidos curtos, floridos, levinhos que meu marido acha lindo e eu não tenho mais coragem de usar. Fiquei tanto tempo esperando o mundo mudar que eu mesma esqueci que pro verão perfeito quem precisava ter mudado era eu.

Não, roda de violão não está inclusa num verão perfeito. Nada mais aborrecido que roda de violão.
desabafo de Gabitsa 6:38 PM

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10/16/2009


Eu queria muito saber desenhar muito bem e ter um traço muito legal. Como não é o caso, tenho que ficar satisfeita em ver o desenho de outras pessoas.


Esta ilustração é de Connie Lim, tem mais no site.
desabafo de Gabitsa 5:42 PM

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10/15/2009


O adjetivo super não é por acaso.

Linda Evangelista é uma das supermodelos dos anos 90 que estão de volta nas páginas das revistas, tomando o lugar das new faces nos editoriais e campanhas mais legais do momento. A art issue da W é um exemplo.


Ela aparece feito santa, no meio de um monte de galinhas, saindo de um buraco. E absurdamente fantástica.
Ela já era uma das minhas preferidas na época, e agora que parece ter superado a instabilidade pela qual era conhecida, está melhor.
desabafo de Gabitsa 6:39 PM

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10/8/2009


Sábado passado eu participei de uma aula de maquiagem na Dermage. Foi muito, muito, muito legal.

Durante a semana vi no Twitter que as primeiras pessoas que se inscrevessem no blog Vende na Farmácia? iriam participar da aula. Me inscrevi e consegui. No sábado tentei deixar minha timidez em casa e fui. Cheguei atrasadinha, shame on me. Mas as meninas são tão legais que nem brigaram comigo. Ainda falaram que tenho cílios ótimos, um agrado e tanto pra autoestima.
Quem tava dando as dicas era a Adriana, uma maquiadora excelente e muito paciente. Respondeu todas as dúvidas, ensinou a aumentar olho pequeno, passar batom vermelho, escolher corretivo, mil coisas.
Eu não conhecia a maquiagem da Dermage e achei ótima, umas cores lindas de batom e uma sombra vinho que é divina. E adorei outras coisas da loja, como uma máscara de tecido cheia de bolinhas, que é qualidade de vida.
No VNF? tem um post falando das aulas, com fotos. Muito obrigada meninas!
desabafo de Gabitsa 10:46 AM

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